Criatividade sugere de imediato o aparecimento de uma obra instantânea, algo do tipo inspiração, que vem sem esforço algum. Mas será que criatividade é isso mesmo?
Segundo Ellen Kiss a “criatividade é a geração de novas idéias, ou novas formas de olhar os fatos, ou mesmo a identificação de novas oportunidades, algumas vezes através da exploração de novas tecnologias, outras vezes por mudanças sociais ocorridas no mercado”
A criatividade pode ser novos arranjos de idéias e conceitos já existentes formando novas táticas ou estruturas que resolvam um problema de forma incomum, ou obtenham novos resultados de valor para um indivíduo ou uma sociedade. Criatividade pode também fazer aparecer resultados de valor estético ou perceptual que tenham como característica principal uma distinção forte em relação às ‘idéias convencionais’.
Armando Pilla também ressalta que a “criatividade é sinônimo de SOLUÇÃO DE PROBLEMAS. Ela só existe, ela só se exprime, face a um problema real, como aplicação para um problema real. Não há criatividade sem problema referente.
Ela sempre parte de um problema, na maioria esmagadora ou então vai ao problema em situações excepcionais. Contudo a criatividade é sempre componente ativo de um problema, verdadeira razão de ser de tudo o que se compreende como solução de problemas.
Ao se enxergar a criatividade como parte do problema, ela se torna a solução. E deve se lembrar que solucionar problemas é uma das características do Design.
A partir deste ponto fica fácil perceber que a criatividade se alia ao Design, ao buscar a melhor solução para uma determinada questão
Como chegar a essa solução que é o cerne da questão. Será que para ser criativo precisar ser mirabolante? Revolucionário? Nunca visto antes? Ou a solução mais criativa pode ser a mais óbvia e por isso mesmo a mais difícil de enxergar?
Armando Pilla dá algumas dicas fundamentais para que o processo de criatividade seja mais simples:
“Preparação: Neste momento estamos a frente de um problema (qualquer que seja ele) e partimos para a coleta do maior número de informações sobre ele. Dados, números, etc. Após o levantamento de dados passamos a pensar sobre o problema com base nas informações de que dispomos. Devemos ler, discutir, anotar, colecionar e cultivar nossa atenção sobre o assunto.”
“Incubação: Nesta fase do processo você se desliga, descansa do problema. Porém mantém uma pequena luz acesa (dizendo que o problema ainda não foi resolvido).”
“Iluminação : Esta fase ocorre nos momentos mais inesperados de nossa vida. É o momento em que as soluções aparecem repentinamente. É quando visualizamos a solução do problema. É o clássico EUREKA de Arquimedes.”
“Verificação: Neste estágio volta tudo à realidade. O intelecto tem de terminar a obra que a imaginação iniciou. Neste momento o isolamento não é aconselhável, pois necessitamos das reações alheias, através de testes, críticas, julgamentos e avaliações.”
Fica claro que o famoso insight não vem do nada, surge como uma inspiração divina. Ele vem do conhecimento que se adquire sobre o problema e da bagagem cultural do solucionador de problemas.
25 agosto 2006
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